Memórias de um Cachorrinho Maduro (4)
- Eleonora Duvivier
- há 12 minutos
- 3 min de leitura

Mamãe falou que eu já sabia que o Chris estava pra chegar porque fui me deitar no chão perto da porta da entrada e botar o meu focinho na fresta pra cheirar o ar lá de fora. Mamãe vê dentro de mim. O Charlie veio aqui pra levar o carro grande do Chris pro aeroporto pra o Chris voltar nele com a Maya e a gaiola dela e ele mesmo na direção. Ele vem me ver! yupiii, uau au!
Ainda bem que a mamãe segura a minha barra quando o Chris viaja e faz esforço pra me animar. Ela até pede pro Charlie e a Jenny me levarem pro Starbucks e eles lá pedem a coisinha branca e doce que eu adoro e que chamam de Puppycino porque é pra puppies. Eu vou com eles que nem indo pro paraíso.
A mamãe faz as pessoas que eu admiro notarem a minha sabedoria, eu gosto muito disso. Ninguém tem tempo pra querer enxergar os cachorros direito, só pra ensinar eles a serem soldados obedientes. Por isso não conversam com eles e ficam sem conhecer um tipo como eu, que nada devo aos cachorros soldados.
A Maya pensa que é uma princesa e me ignora, mas eu nem ligo pra poder ficar perto do Chris no espaço que sobra depois que ela se planta do lado dele. Fico feliz com o meu amor pelo Chris e nem preciso de ter primeiro lugar com ele. A Maya é uma mistura de Doberman e Vixla. Tem olhos verdes e se acha linda. A mamãe diz que ela é muito graciosa e ela é, mas ainda bem que viu logo que eu não sou de brincadeira e não tinha saco pros jogos dela de cachorro adolescente, eu que já sou adulto e muito sério pra ficar me engalfinhando com ela: Eu ja passei testes na casa do amigo do Chris que quase me deram um ataque no coração e outro na mamãe; já me mudei de estado, de dono, tenho muita experiencia e deixo a Maya lá pra trás. Quando ela vinha pulando pra cima de mim era só eu dar uma rosnada bem zangada que passava pra ela toda a minha experiencia e autoridade e ela ficava na dela.
Eu tava certo como sempre, o Chris voltou! Deixou a mala dele aberta cheia de roupas porque deve estar pra viajar de novo. Então, eu entro dentro dela e me misturo com as roupas do Chris e me sinto muito protegido virando uma das coisas dele. Desse jeito, eu tenho chance de ir junto com ele quando ele for de novo.
Foi bom eu ter um spa antes do Chris chegar. Quando eu fico pronto, eles amarram um lencinho bem fofo no meu pescoço e eu fico todo sedoso e com meu cabelão aparado. Mamãe diz mil vezes pra eles não apararem as minhas orelhas compridas, “They are his signature!” ela explica pra mulher do spa que vem até aqui numa vã com água quente, secador, escova de dente, shampoo e mil lencinhos de pescoço diferentes. Quando eu volto, mamãe olha pras minhas orelhas compridas e diz que com os meus cachinhos todos penteados eu fico igual “as meninas” de um tal de Velásquez, “Você é mesmo um aristocrata!”, ela fala toda contente.
Depois do Spa, eu fico a mil. Me dá muita alegria e refrescamento e alívio, então eu fico levinho e corro mais rápido do que um coelho de um lado pro outro. Eu fico num lugar até a mamãe conseguir me pegar e aí eu pulo fora que nem uma flecha pra outro lugar e repito tudo de novo quando ela me alcança. Com ela correndo atras de mim, eu pulo da cama pro sofá na sala e do sofá eu volto que nem um foguete pra cama. Vou e volto muitas vezes nessa felicidade que a gente não sabe de onde vem.
Mamãe disse que isso é a minha brincadeira de “reencontro”. Nessa brincadeira, a minha rapidez baixa em mim lá de outro planeta porque até faz eu me admirar comigo mesmo. “Olha que lindo, ele está brincando de reencontro!” ela explicou pra Tweety.
Acho que a mamãe está certa porque eu adoro rever as pessoas. Então fico fugindo dela pra rever ela de novo!
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