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Foto do escritorLais Amaral Jr.

O Peixamba do Mariozinho Lago e o meu Samba Sonhado




Lendo na semana passada a crônica do Mariozinho Lago aqui na Criativos, acabei viajando naquele delicioso sonho, o Peixamba. São coisas da sincronicidade ou sei lá o que. Coincidência mesmo. Na minha viagem me vi pegando o trem na estação ferroviária de Juscelino Kubitschek, em Nova Iguaçu. Na trupe estavam minha mãe, minha avó, tios e primos. Baldeação em Deodoro e de lá para o ramal de Santa Cruz. Campos Grande.


Naquela excursão domingueira fomos à casa do velho Benedito, meu tio-avô, irmão de minha avó materna. Ele morava em Pedra de Guaratiba e era pescador. O que lembro da praia foi o grande número de tamarineiras, como nunca tinha visto. Também havia amendoeiras, se é que minha memória não falha ou foi criada uma daquelas pontes que os estudiosos dizem que a mente constrói entre duas lembranças, ocupando o espaço de algo que esquecemos. Um estratagema da mente para dar algum sentido às memórias.


Diferente da “viagem” do cronista, do almoço nada ficou registrado. Lembro que no fim da tarde quando fazíamos o retorno alguém passou ouvindo futebol num radinho de pilha. Era domingo de Fla Flu. E decisão. O jogo acabara há pouco em zero a zero e com isso o Flamengo era o campeão carioca de 1963. Minha avó, uma flamenguista distante, deixou escapulir um tímido ar de satisfação. Meu tio, botafoguense e que não topava o Tricolor, sorriu mais abertamente.


Aquela roda de samba dos sonhos, possível com o prodígio da crônica, me fez refletir sobre saudades e desejos. Esses vetores que nos levam a viver realidades maravilhosas enquanto estamos encantados por Morfeu. A ‘Peixamba’ me remeteu a um sonho delirante que tive tempos atrás e que se concretizou num samba, que batizei Samba Sonhado. Como na crônica Mariozinho não falou da Roda, prevendo não conseguir parar, na letra do meu samba não caberiam todos os nomes maravilhosos que amo. Entraram aqueles que no momento a mente liberou, sabe-se lá porquê.


A letra foi saindo meio pronta como parece ter sido gerado o belo e inspirado texto do Mariozinho. O refrão abre as portas do delírio:


“Sonhei um Samba

Com miragens bem reais

Com sambista geniais,

E alguns já estão no céu

Voltei do sonho,

Inspirado e de manhã

Passei tudo pro papel

Que eu também sou bam-bam-bam”


A soberba e a pretensão do verso final do refrão, são desmontadas logo nos versos iniciais da primeira estrofe:


“Fui batizado por bambas

E minto como ninguém

Mestre Cartola bem sabe

Desse afilhado que tem

No pagode eu sou um Zeca

Minha cabeça vai bem

Sua bênção, velho Aniceto

Sou partideiro também


Fui parceiro de Candeia

Ninguém há de acreditar

E com Nelson Cavaquinho

Fui até o sol brilhar

Com Luiz Carlos da Vila

Fiz um samba comovido

Nunca ouvi ninguém cantar

Tenho problemas de ouvido”


E os versos seguem nessa linha por mais algumas estrofes citando lendas vivas e mortas. Na verdade, citando vivos e imortais. Quando eu conseguir um intérprete, espero que vocês possam ouvir o meu Samba Sonhado. Valeu Mariozinho, obrigado pelo gancho e parabéns pelo texto.


 

Lais Amaral e Mariozinho Lago, vejam!




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