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POR QUE FALTAM LÍDERES?




No noticiário de relações internacionais, assim como nos livros de administração de negócios são constantes as preocupações quanto a formação de líderes e a aparente inexistência da sua disponibilidade para ocupar os principais postos de governo na maioria dos países e mesmo de presidências e chefias intermediárias nas empresas.


Abundam livros sobre as qualidades dos líderes, o estilo dos líderes e a formação dos líderes, mas quanto mais o assunto é objeto de estudos e preocupações, menos se identifica a existência de líderes com as qualidades necessárias.


Um exemplo em escala mundial se deu há alguns anos quando a Europa assistiu a saída da Inglaterra da União Europeia ao mesmo tempo em que a chanceler alemã Angela Merkel se recusava a assumir este papel de líder. É verdade que a tradução da palavra líder em alemão é “Füher”, o que já era um problema por si para toda Europa, face às terríveis lembranças associadas a este termo.


Devemos procurar as razões desta falta de verdadeiros líderes em algo que podemos chamar de o “espírito da época”. A dissolução da URRS marcou em escala mundial o fim de uma ideologia alicerçada em sociedades sem classes que provessem condições dignas de vida a todos os seus habitantes. Esta característica de pensar o coletivo trazia implícita a ideia que a legitimidade de alguém aspirar ao poder estaria na sua disposição de dele (o poder) ser usado para servir o próximo. A triste realidade é que todos os regimes derivados desta ideologia mostraram que a aspiração ao poder sempre esteve ligada a exercê-lo autoritariamente, em beneficio próprio e dos seus aliados.


Com a falência do comunismo e, anteriormente, dos regimes nazifascistas prosperou a ideia do individualismo, que se difundiu não só no meio empresarial como nos meios políticos. A lógica do individualismo, a procura do beneficio próprio ou dos acionistas de uma empresa, é profundamente antitética da lógica do benefício coletivo e tem origem na velha tradição dos utilitaristas ultraliberais, que consideram que a maneira de maximizar o bem coletivo é cada um procurar atingir o que considera o seu bem individual. Esta lógica também se mostrou falaciosa face as enormes imperfeições de mercado, gerando grande desigualdade social.


Não é de estranhar, portanto, que após meio século de predominância do pensamento liberal individualista que não se encontrem líderes de qualidade com aquela característica de colocar o interesse público acima do interesse próprio. A maioria dos grandes empresários e daqueles que surgiram na política dos últimos 50 anos foram criados dentro desta visão do mundo. Mancur Olsom, catedrático de Harvard, em meados do século passado, já havia identificado em suas pesquisas que mesmo nas organizações associativas sem fins lucrativos, como partidos políticos e associações de classe, seus aderentes buscavam através do discurso de dedicação ao público o que era bom para eles mesmos.


Assim, não é de manuais de formação de líderes ou de empurrar pessoas de destaque – atletas, comunicadores, influencers, ... – para a disputa de eleições que surgirão os líderes para encarar as transformações necessárias para tornar o nosso planeta um local sustentável e as relações entre países amigáveis e colaborativas para um bem maior.


Esses líderes precisam ter a consciência que os ajustes estruturais que o mundo exige implicam em perdas econômicas para uns e ganhos para bilhões de outros. Os que perdem não devem ver nisso um desestímulo, e sim algo que os façam sentir mais dignos. Os que ganham, por outro lado devem reconhecer a magnanimidade daqueles que conscientemente estão tornando efetiva esta redistribuição de renda, sejam eles países, empresas ou pessoas físicas.


Este artigo possui uma grande dose de utopismo, que no caso se confunde com um novo realismo, uma espécie de “real politik” orientada não para os poderes individuais dos diferentes agentes da economia, mas para as necessidades da vida sustentável no planeta Terra.


 

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